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Personal Learning Environments (PLE)

 


O que são os PLE (Personal Learning Environment)?


Castañeda, L. y Adell, J. (2013). La anatomía de los PLEs. En L. Castañeda y J. Adell (Eds.), Entornos Personales de Aprendizaje: Claves para el ecosistema educativo en red (pp. 11-27). Alcoy: Marfil.  http://www.um.es/ple/libro/

 
O artigo começa por refletir sobre o conceito de PLE e como se desenvolveu ao longo dos anos, procurando, ainda, encontrar uma definição do conceito que seja abrangente.

Ambiente Pessoal para Aprender

Parte da ideia principal, de que todos aprendemos ao longo da vida, através de uma rede de conexões sociais, família, professores, escolas. Todos temos um ambiente pessoal de aprendizagem, mesmo que não nos demos conta disso.

Com o aparecimento das tecnologias Web 2.0 e da popularização do acesso à informação conseguimos aceder a uma imensa quantidade de informação, recursos, através de diferentes fontes e várias origens e em uma imensa variedade de formatos.

Conceito de PLE

“Diz-se que a ideia dos PLEs remonta a 2001 quando, no âmbito do projeto NIMLE (Ambiente de aprendizagem gerenciado integrado da Irlanda do Norte) financiado pelo JISC (o Comitê Conjunto de Sistemas de Informação da Grã-Bretanha), a ideia começou a se desenvolver de um ambiente de aprendizagem centrado no aluno como uma evolução dos já populares ambientes virtuais de ensino-aprendizagem centrados na instituição. Um ambiente que pudesse coletar e centralizar recursos de várias instituições (Brown 2010). Alguns anos depois, em 2004, o JISC incluiu em seu congresso anual uma sessão específica dedicada aos ambientes telemáticos centrados no aluno, que chamaram Ambientes de aprendizagem pessoal. Esta foi a primeira vez que se utilizou “oficialmente” este conceito, que mais tarde se generalizou e evoluiu, e cuja sigla usamos em quase todas as línguas: PLE”. (pp.13)

Há duas formas de entender os PLE, a primeira entende o PLE como artefacto tecnológico, cujo objetivo é criar e generalizar a melhor ferramenta PLE. A segunda, traz-nos a ideia da pedagogia, de como as pessoas aprendem com o apoio da tecnologia.

No artigo os autores referem várias publicações, artigos e os principais autores que investigaram e debateram este tema, designadamente os que participaram  numa conferência sobre  PLE em Barcelona, em 2010,  Buchen, Attwell, Torres-Kompen (2011), van Harmelen, Wilson e Jonhsone Liber (2008), Fielder e VFiedler e Väljataga1, Fournier e Kop), Ismael Peña-López e Jordi  Adell, Casquero et al.,  entre outros. (2010)

Em 2011 esta conferência realizou-se no Reino Unido e, curiosamente, em 2012 em Aveiro.

Com o debate que se foi realizando, ao longo dos anos, dizem-nos os autores que hoje se conciliam as duas perspetivas, a tecnológica e a pedagógica, sendo hoje o conceito composto pelas duas formas.

“Um PLE é o conjunto de ferramentas, fontes de informação, conexões e atividades que cada pessoa usa regularmente para aprender”  (Adell e Castañeda, 2013, pp. 15).

Todos acumulamos processos, experiências e estratégias que utilizamos para aprender.  As novas tecnologias de informação e comunicação atuais vieram enriquecer e trazer novas ferramentas, surgindo, assim, novas experiências, estratégias, formatos. Para além do nosso percurso de formação formal, integramos, agora os processos emergentes.

Como “desenhar” um PLE?

O quadro seguinte sintetiza o que Adell e Castañeda (2013, consideram os 3 principais componentes de um PLE, Ler/Aceder a Informação, Fazer/Refletir Fazendo e Compartilhar (Personal Learning Network).

O Quadro organiza-se em alguns exemplos separando-os nos que respeitam à ferramentas que usamos, aos mecanismos que colocamos em ação e às atividades que elaboramos.

 

                           Figura 1. Componentes de um PLE

                                                                                             Fonte Adell e Castañeda (2013)

As ferramentas, estratégias ou mecanismos dependem do uso que lhe quisermos dar, podendo assim fazer parte de uma ou outra estratégia de aprendizagem.

 “(…) quando dizemos que todos nós temos um PLE, quer saibamos ou não, enfatizamos que você não precisa ser um aprendiz especialista ou um educador profissional para ter um PLE. No entanto, tê-lo e não conhecê-lo ou não saber enriquecê-lo/mantê-lo implica desperdiçar o seu potencial como ferramenta de metacognição. Se não entendemos como aprendemos, é muito difícil para nós replicar nossos mecanismos de aprendizagem em situações semelhantes ou redirecioná-los e enriquecê-los quando não sabemos como enfrentar uma situação em que devemos aprender coisas novas” (Adell e Castañeda, 2013, pp. 21)


Como podem os PLE apoiar a Aprendizagem ao Longo da Vida?

Yen, C.-J., Tu, C.-H., Sujo-Montes, L. E., Harati, H., & Rodas, C. R. (2019). Using personal learning environment (PLE) management to support digital lifelong learning. International Journal of Online Pedagogy and Course Design, 9(3), 13-31.   https://doi:10.4018/IJOPCD.2019070102

Neste artigo, Yen et al. (2019), refletem sobre os PLE enquanto uma forma de integrar a aprendizagem formal, não formal e informal, nas redes sociais, apoiando a aprendizagem de forma autorregulada.

Para estes autores:

 “O PLE é mais do que uma plataforma tecnológica. Na realidade, é um espaço conceptual, um processo pedagógico, e redes digitais que permitem e apoiam os aprendentes a alcançar os seus objectivos de aprendizagem ao longo da vida. Attwell (2007) argumentou que os PLEs desempenham um papel importante no avanço da compreensão da aprendizagem digital ao longo da vida. Os PLE podem ser percebidos e integrados pelos aprendentes para organizar a sua própria aprendizagem em múltiplos contextos onde a aprendizagem formal,não formal e informal se apoiam e complementam mutuamente”. (Yen et al., 2019, pp. 23).

Consideram que a aprendizagem digital aberta e em rede é uma forma de olhar criticamente para a aprendizagem feita, de forma formal e informal, ajudando a reconhecer os percursos de aprendizagem ao longo da vida através de pedagogias inovadoras.

No artigo distinguem a aprendizagem formal (organizada, estruturada com objecivos de aprendizagem, feita instituições educacionais formalmente reconhecida com créditos, graus, ou outros reconhecimentos), a aprendizagem não formal  (envolve workshops, sessões de formação, cursos comunitários, cursos baseados em interesses, cursos curtos, ou seminários de estilo conferência, normalmente não conduz a uma certificação)e informal (não tem objetivos, não tem uma intenção, é feita através da experiência,  de leituras, dos  livros, da procura de informação, comunidades de prática, grupos informais), como componentes da aprendizagem ao longo da vida, resultando no desenvolvimento de conhecimentos, aptidões e competências, numa perspetiva pessoal, cívica ou pessoal e/ou relacionado com o emprego.

Para os autores o PLE eficaz “inclui organização, planeamento, gestão e personalização de recursos. É um tipo de aprendizagem experimental.  Dabbagh e Fake (2017), cit. por Yen et al.  concluem que são necessárias competências e aptidões para criar PLE eficazes.  

No estudo realizado estes autores estudaram como variáveis preditoras:

(a) nível de iniciativa de um participante. Os níveis de iniciativa determinam se os alunos de PLE são capazes de construir, gerir, pesquisar, aceder, e utilizar diferentes ferramentas, conteúdos, e redes de pessoas

(b) sentido de controlo. A aprendizagem no PLE torna-se mais descentralizada, e personalizada.

(c) nível de auto-reflexão na gestão do ambiente pessoal de aprendizagem (PLE). A auto-reflexão sobre a gestão do PLE é um processo chave para o desenvolvimento eficaz do PLE, dizem alguns autores.

Analisaram ainda, variáveis critério, procurando saber em que medida os participantes utilizaram PLE para apoiar (1) a sua aprendizagem formal (2) a aprendizagem não formal e (3) a aprendizagem informal. 

No estudo, Yen et al. (2023), concluíram que cada componente da gestão do PLE é preditivo de cada tipo de aprendizagem.

“Os conhecimentos e competências na gestão de ambientes pessoais de aprendizagem são tão críticos como o conteúdo de aprendizagem. É necessário o desenvolvimento de competências de gestão dos PLE, em situações de aprendizagem formal, para assegurar que os alunos obtenham competências de gestão dos PLE, aplicando-as de forma eficaz à aprendizagem não formal e informal”

Relações de Aprendizagem Digital ao Longo da Vida e PLE

Salientam que os PLEs digitais de aprendizagem, ao longo da vida, vão além da aprendizagem formal, por possuírem “a capacidade de interligar múltiplas redes de pessoas num local central, os alunos podem envolver-se em múltiplos tipos de aprendizagem, aprendizagem formal, não formal, e informal” (Greller & Drachsler, 2012, cit. por Yen et al., 2019).

Fazem, ainda, uma referência aos MOOCs que veêm como “outra forma concebível para inspirar a aprendizagem digital ao longo da vida com instruções abertas e flexíveis para adquirir as competências e conhecimentos desejados, particularmente o Connectivist MOOC (cMOOC) que permitem aos aprendentes personalizar e os seus objetivos, necessidades e viagens de aprendizagem.


Já refletiram sobre o vosso PLE?

  

                                        



 

Comentários

  1. ótimas leituras Ana! Gostei particularmente da tabela com os componentes de um PLE. Muito obrigada por compartilhar!

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