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O Perfil do Professor Online

Bibliografia Anotada


Pacansky-Brock, M., Smedshammer M., & Vincent-Layton, K. (2020). Humanizing online teaching to equitize higher education. Current Issues in Education, 21(2). Retrieved from http://cie.asu.edu/ojs/index.php/cieatasu/article/view/1905

Neste artigo os autores falam-nos de modelos de ensino online humanizado, apoiando-se em referenciais teóricos do ensino culturalmente responsivo, conceito de presença social, teoria da validação e desenho universal de aprendizagem.

Alertam-nos para a importância de as universidades facultarem experiências de aprendizagem online inclusivas, bem como para a necessidade de preparar os docentes para esses modelos de aprendizagem, considerando que o grupo de alunos é cada vez mais heterogéneo o que constitui uma oportunidade para uma aprendizagem mais rica em que a diversidade é um valor central.

Através desse ensino humanizado pretende-se que o relacionamento professor-aluno- comunidade, se conectem promovendo a empatia, o comprometimento e o rigor, encorajando o desenvolvimento pessoal, de competências e de valores de aprendizagem.

Para os autores “Humanizar é uma estratégia pedagógica que busca melhorar as lacunas de equidade, reconhecendo o facto de que os ambientes de aprendizagem não são neutros; em vez disso, muitas vezes operam para reforçar uma visão do mundo que exclui alguns alunos” (Pacansky-Brock, et al., 2020, pp.2)

Deve reconhecer-se que o comprometimento e a realização são construções sociais desenvolvidas a partir da história e das experiências dos alunos. “Olhar através desta lente”, ajuda a remover barreiras, afetivas, cognitivas e outras, levando a um ambiente mais equitativo que visa o sucesso de todos os alunos. (Pacansky-Brock,  et al., 2020).

Os autores assinalam a importância de estratégias acolhedoras, visualmente atrativas, interações assíncronas calorosas e o estabelecimento de primeiras impressões positivas que levem ao reforço da confiança, a um ambiente e a uma cultura de cuidado nos ambientes online, em que se coloque o aluno no centro, apostando na preparação dos professores que ensinam em ambientes online.

Mas ao humanizar o ensino online será que se corre o risco de compartilhar demais? Terão os professores online receio disso? Os autores, citando Hammond (2014, p. 79), referem a “vulnerabilidade seletiva”, dizendo-nos que “não precisamos de compartilhar todos os esqueletos dos nossos armários (…)”, mas que partilhar algumas das nossas histórias e experiências ajuda a estabelecer confiança sobretudo naqueles que têm medo de se expor.

Uma das dimensões que concorre para o tema da humanização no ensino online, é o da presença social.  sendo essa presença muitas vezes limitada ao texto escrito, à quantidade de interações e não tanto à qualidade das intervenções, o que pode desmotivar o aluno, ou fazer com que se sinta isolado, já que essa interação carece da linguagem não verbal, paralinguagem, gestos corporais, entonação,velocidade, sons feitos entre as palavras e expressões faciais.

De acordo com os autores ao falarmos de ensino humanizado devemos ter em conta a utilização de indicadores afetivos, como o uso de humor e a expressão de emoções, incentivando os professores a usar, nas suas interações escritas um tom que reflita apoio e suporte, vídeos ainda que assíncronos do professor e outras estratégias que de acordo com alguns estudos demonstram aumentar a presença social.

É especialmente importante, sobretudo nas primeiras semanas, quando existe maior probabilidade de os alunos desistirem que os alunos sintam que o professor é uma pessoa real, estabelecendo-se um ambiente em que os alunos sintam confiança e segurança psicológica. Assim, devemos criar ambientes que:

 1. Promova a empatia pelos alunos. Para se tornarem educadores on-line empáticos, os professores devem estar imersos nos próprios ambientes de aprendizado on-line para experimentá-los da mesma forma que os alunos. Fazer isso cria mudanças mentais poderosas, pois os professores reconhecem desafios inesperados e se veem pedindo uma prorrogação de uma tarefa. Não é incomum que professores digam: “Agora sei como é ser um aluno on-line”.

2. Modele a instrução humanizada com um (ou mais) facilitadores presentes, conscientes e empáticos. Os professores que resistem ao ensino online provavelmente nunca experimentaram um curso online bem facilitado. Como resultado, eles abordam seu primeiro curso com a mentalidade de que todos os cursos online são secos e desconectados. Cada experiência de PD online é uma oportunidade de mudar a mentalidade do corpo docente sobre o rico e recompensador potencial do ensino online.

3. Capacite o corpo docente para que se tornem criadores autônomos de conteúdo digital. Quando o corpo docente leciona online, ele precisa ser capaz de resolver seus próprios problemas técnicos produzindo seu próprio conteúdo digital. A maioria dos professores ensina em meio período e não pode contar com o apoio dos centros de ensino no campus. Eles precisam de kits de ferramentas digitais e treinamento para poderem trabalhar de forma independente. Além disso, vídeos produzidos com habilidade e PowerPoint fornecidos pelo editor é mais provável que as apresentações pareçam estéreis para os alunos. Criar o próprio conteúdo pode não resultar na qualidade de Hollywood, mas é mais provável que capture o toque e o caráter pessoal de um instrutor (Guo, Kim, Rubin, 2014).

4. Forneça uma zona segura e livre de julgamento para experimentação. Sentir-se vulnerável em novas situações faz parte do ser humano. Para instrutores universitários, o medo de parecer estúpido na frente de seus colegas é especialmente estressante e tem se mostrado um fator que pode impedir professores de ensinar com tecnologia (Herckis, Scheines, & Smith, 2017). O desenvolvimento profissional deve econhecer e apoiar a tomada de riscos, expressando essas experiências desconfortáveis no contexto da mentalidade de crescimento. Facilitadores de desenvolvimento profissional devem ser transparentes, admitir abertamente quando cometeram um erro e compartilhar histórias sobre seu próprio crescimento com o uso de ferramentas digitais.

5. Certifique-se de que o corpo docente domine os fundamentos do fluxo de trabalho de vídeo assíncrono. A era móvel revolucionou o vídeo. Como seus alunos, quase todos os professores agora têm uma ferramenta de criação de vídeo na ponta dos dedos na forma de um smartphone. Professores que dominam a arte de dividir conteúdo em vídeos curtos, gravar de um dispositivo móvel e webcam, avaliar iluminação e som adequados, enviar vídeos para um servidor (por exemplo, YouTube), legendar vídeos e incorporá-los em um LMS possuem fluência digital crítica para humanizando os cursos online.

6. Modele o UDL e assegure-se de que ele esteja integrado ao processo de criação de conteúdo. Garantir que todos os alunos possam acessar o conteúdo não é apenas uma exigência federal, mas também um compromisso com a inclusão. Além disso, fornecer aos alunos ambientes de aprendizado multimodais garantirá que mais alunos tenham o que precisam para ter sucesso sem precisar pedir acomodações. O UDL também reduz a tarefa cara e demorada de corrigir conteúdo digital inacessível.

7. Ajude o corpo docente a entender como usar análises quantitativas de LMS combinadas com dados qualitativos do aluno para reconhecer quais alunos precisam de suporte, quando o suporte é mais necessário e onde é provável que tenha mais impacto. Em última análise, o corpo docente deve usar os dados dos alunos para adaptar seu ensino às necessidades de mudança dos alunos ao longo de um curso.

8. Forneça um ambiente seguro e livre de julgamento para experimentar, cometer erros e crescer. Os instrutores geralmente se sentem vulneráveis quando solicitados a gravar sua presença imperfeita em vídeo. O corpo docente deve ser encorajado a refletir sobre seu crescimento e considerar as mudanças em como se sentem sobre o uso de novas ferramentas.

9. Redesenhar cursos Ser projetado para eliminar o “PD Melt”. Os professores têm maior probabilidade de fazer mudanças acionáveis em seu ensino durante o período imediatamente após o desenvolvimento profissional quando. No entanto, retornar às rotinas cotidianas muitas vezes prejudica até mesmo as mudanças mais bem-intencionadas. Para remediar isso, os colegas de apoio do corpo docente (designers instrucionais, coordenadores de educação a distância, tecnólogos instrucionais ou acadêmicos) devem estar em vigor como um andaime pós-PD para apoiar o corpo docente com o redesenho do curso.

  Guia Visual Humanizando – versão completa

 https://brocansky.com/humanizing/infographic2

 

 Morgado, L. (2001). O papel do professor em contextos de ensino online: Problemas e virtualidades. Discursos, III Série, nº especial, pp.125-138, Univ. Aberta.

 

Neste artigo a autora começa por realçar a importância da novas questões que se colocam com o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação o que exige o reposicionamento de perspetivas, no ensino superior e no ensino a distância, fazendo surgir novas necessidades na educação e formação.

Sendo este tema sempre atual, este artigo é muito importante por nos alertar para os insucessos quando se introduzem inovações tecnológicas no ensino, apontando-nos alguns fatores que contribuem para esse insucesso: “Entre eles, ressalta a falta de identificação clara dos objectivos da utilização de novas tecnologias, a colocação da ênfase no meio e não no conteúdo e a inevitável resistência à mudança” (Morgado, 2001, pp. 2).

Embora diversas experiências ressaltem todo o potencial do ensino online, é necessário olhar para a introdução de novas tecnologias no ensino, não só como inovação pedagógica mas avaliando os seus impactos nos fatores de natureza pedagógica e organizacional.

 Assim devemos também refletir sobre que “novos papeis esperam professores e alunos nos sistema de ensino a distância” (Nipper, 1989, cit. por Morgado, 2001

 Para nos ajudar nesta reflexão sobre a inovação tecnológica no ensino, a autora vai ajudar-nos a uma melhor compreensão do conceito de ensino online.

 

“O que significa ensino online? Na verdade, é difícil chegar a uma conclusão dada a variedade de abordagens e a ausência de quadros conceptuais comuns dos investigadores, embora seja possível encontrar uma explicação, ora mais inspirada no território tecnológico, ora mais inspirada no território pedagógico” (Morgado, 2001, pp.3)

 Neste artigo, revisitam-se alguns autores procurando delimitar o conceito, considerando-se que sem essa delimitação torna-se difícil, refletir sobre o ensino online.

Deixa-nos com a definição de Feyten & Nutta (1999), “o ensino online é aquele tipo de ensino que tem lugar através da comunicação mediada por computador (cmc), a distância, podendo ser síncrono (em tempo real) e assíncrono, (professor e aluno não têm de estar ao mesmo tempo nem no mesmo lugar na situação de ensino-aprendizagem)”.

Para além das caraterísticas descritas acima lembra-nos, ainda, a importância dos paradigmas da abordagem construtivista e os elementos fundamentais do ensino a distância, as interações colaborativas, a aprendizagem centrada em objetivos comuns, com partilha de competências individuais ao serviço do grupo, através da realização de trabalhos em conjunto.

Destaca o artigo que a aprendizagem é um processo individual que, contudo, é influenciado por vários fatores, entre os quais o grupo, sendo, assim também, um fenómeno social, feito das interações, sendo que “estas interações no grupo envolvem o uso da linguagem na reorganização e modificação da compreensão das estruturas pessoais” (Morgado, 2001).

Na sequência da delimitação do conceito de ensino online, destacamos na análise deste artigo a reflexão realizada relativamente aos modelos pedagógicos com a destrinça feita em função do modelo de interação envolvido, de acordo com a revisão de literatura realizada. Assim, centrando-se na sua dimensão teórica, destaca o artigo: os modelos centrados no professor; os modelos mais centrados na tecnologia, os modelos centrados no estudante

Assinala, ainda, “uma outra perspetiva de análise dos modelos de ensino online centrada na relação entre os conteúdos e o grau de intervenção do professor e do aluno (Mason, 1998). Um primeiro modelo fundamenta-se na ideia de relativa permanência e imutabilidade dos conteúdos e materiais que são concebidos por especialistas podendo, assim, “ser ensinados” por outros professores que não os seus autores” (Morgado, 2001, pp. 6).

 Ou, ainda, um segundo modelo centrado nos materiais, centrando-se a abordagem nos recursos, atribuindo autonomia e responsabilidade ao estudante e ao professor um papel ativo, através da promoção de discussões e das atividades propostas.

Para terminar, no terceiro modelo analisado, a autora refere a construção de comunidades de aprendizagem, referindo este modelo como “um modelo que dissolve a distinção entre conteúdo e tutoria”, com conteúdos “fluidos e dinâmicos, pois são largamente determinados pelos indivíduos e pela atividade de grupo”. (Morgado, 2001).

O artigo, apresenta, ainda, de forma resumida,  algumas variáveis criticas para o sucesso das experiências em contexto online, apresentando-nos a função que podem desempenhar e as interações que permitem, numa sala virtual, analisa-se assim conferências, espaços de trabalho individual e emails, café, fóruns, chat, programas e calendários e FAq´s.

Encontrando-se diferenças nos diferentes estudos que incidem sobre a análise do ensino online é, no entanto, possível, encontrar variáveis comuns: a dimensão do grupo, o uso do tempo, a adaptação aos momentos assíncronos e a construção de comunidades de aprendizagem.

Estas variáveis são exploradas no artigo e constituem um excelente enquadramento e alerta para a importância do aprofundamento de cada  uma destas dimensões. 

Na parte final do artigo, assinalamos, a principal razão que nos levou a identificar este artigo para a constituição desta bibliografia anotada o papel do professor, a autora começa este capitulo falando-nos da análise de literatura e da investigação  que têm como problemática principal a alteração do papel do professor no ensino online.

 Começa por referir as dificuldades de denominação que refere como exemplo, o enunciado por Salmon (2000), tais como E-Moderador (Salmon, 2000; Berge 2000), Tele-Professor ou Tele-Tutor (Mundemann,1999); Facilitador (Tan,1999) e Formador Pessoal (Mason,1998) (Salmon, 2000, cit. por Morgado, 2001).

Quanto às áreas definidas para a intervenção do professor destacam-se: os aspetos pedagógicos, os aspetos de gestão, os aspetos sociais e os aspetos técnicos, detalhando cada um deles na perspetiva de diferentes autores.

Destaca, nesta análise, o modelo de Salmon (2000) que, baseando-se no estudo das interações professores e alunos, elaborou um modelo organizado em 5 níveis, muito usado para a planificação de cursos online. De acordo com Salmon são estas as etapas a percorrer: o Acesso e Motivação, a Socialização, a Partilha de Informação, a Construção de conhecimento e o Desenvolvimento:

Fig. 1 - Modelo de e-learning de Salmon (2000)

O artigo, leva-nos a questionar se serão as competências e as técnicas usadas pelos professores, do ensino presencial, aplicáveis ao ensino online, ainda que com adaptações, como é defendido por alguns autores, mas não por outros, criando-se alguma controvérsia quanto a isto.

De acordo com a autora, refletir sobre estas questões, pode “conduzir-nos a uma reflexão mais aprofundada e ao repensar da formação dos professores em determinadas áreas. Porque, apesar da ideia de que muitas das competências são comuns ao ensino presencial e ao ensino a distância, a verdade é que a sua transposição para o ensino online não é linear, envolvendo frequentemente a necessidade de adaptações a este novo contexto.” (Morgado, 2001, pp. 15).

Quanto a esta questão, Salmon (2000), apresenta uma síntese entre aquilo a que de Características – Understanding of online process; Technical skills; Online communication skills; Content expertise; Personal characteristics – e aquilo a que chama Qualidades – Confident; Constructive; Developmental; Facilitating; Knowledge sharing; Creative. (Salmon, 2000, cit. por Morgado, 200, pp. 15).

Consideramos este artigo fundamental para se entender e refletir sobre o papel do professor online, sendo um excelente ponto de partida para a análise de quais os papeis e competências do professor/formador, continuando muito atual, face à emergência de novos contextos de aprendizagem.

Ao ler o artigo surge-nos uma questão que pretendemos aprofundar.

Haverá um perfil de competências do professor/formador, diferente de acordo com diferentes ambientes de aprendizagem, ou haverá um só perfil de professor/formador?

  


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